Cinquenta e quatro

Me lembro muito bem do que estava fazendo ao receber a notícia de uma morte de alguém próximo, que ainda me faz falta. Foram tantas aos longos de meus anos.

Aos seis tive que lidar com a de minha avó, essa é a única da qual não me lembro o que estava fazendo ao receber a notícia. Acho que a pouca idade e não saber lidar com o ocorrido, me fizeram bloquear a memória. Somente esse ano, esse ano de tantos confrontos aqui dentro de mim, que as recordações dela, de minha avó, vêm voltando aos poucos.

Ela em sua janela, suas rosas, seu chá de erva doce, seu biscoito frito, ela dormindo junto comigo em meu quarto em seus últimos dias.

Nesse dia de finados me sentei em seu túmulo, e com os olhos marejados senti seu cheiro, esquecido há tanto tempo.

Esse clima de tragédia, morte no ar, só fez intensificar esse sentimento. Não sinto aquela dor apertada seguida do luto, sinto saudade. Saudades de coisas que nem vivemos juntas.

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