Quarenta e um

Sinto que um pedacinho meu morreu durante essa pandemia, permanece morrendo, juntamente com os mais de 100 mil mortos. Não sei dizer ao certo o que continha nessa parte, o que se foi junto dela, só o tempo poderá mostrar.

Sei que não consigo ficar feliz, empolgada com algo, sem o sentimento incômodo de culpa me consumir. Mais de 100 mil mortos e você está feliz?

Ou, quando triste, caindo em um poço de lamentações e autodepreciação, me vem o mesmo sentimento de culpa. Ninguém próximo de mim morreu, eu estou bem, há pessoas verdadeiramente em situações ruins, pessoas morrendo. Então, que direito tenho de reclamar e me sentir mal? Deveria me sentir grata.

Fico flertando com esses dois extremos, cada vez me perdendo mais e mais no processo. Pois, não há equilíbrio, e acho que nunca houve um aqui dentro.

6 comentários em “Quarenta e um

  1. Não está fácil para ninguém, Amanda… e seus dias de felicidade são bons para levar luz àqueles que estão sofrendo. Também sinto algo estranho quando estou bem e lembro que tem outros mal. Mas comecei a ver que é uma forma de levar alegria, já estamos cheios de notícias e mensagens ruins. Cuide-se e força. Beijos! 🌻

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