Vinte e Nove

Queria escrever, faz um tempo que não escrevo, e acostumada a jorrar meus pensamentos em letras todos os dias, esse intervalo de quase uma semana sem a escrita deixa um gosto amargo de saudade na boca. A casa tá cheia, uma casinha pequena como onde moro entupida de gente é uma coisa frenética. E não que eu desgoste desse frenesi, pelo contrário, é que a alma solitária que carrego; ou ela que me carrega na marra, como tem sido; esse espírito meio antissocial se cansa fácil, e logo já me vejo estressada atoa, a procura de um canto silencioso, onde possa ler, escrever, pensar.

E em um desses poucos momentos de calma, troco um instante de sono pelo deliciar da liberdade de soltar algumas palavras avulsas. 

É estranho; ou nem tanto; como não sinto esse clima de fim, de fechamento, o final de um ciclo. É o fim de um ano, o início de outro, e me encontro diferente do que era e ao mesmo tempo igual; entende? Não sou a mesma do começo do ano, mas continuou de certa forma no mesmo lugar. E, logo nesse momento, pensando no quanto são as outras pessoas que me fazem ter essa sensação, o spotify me presenteia com Tamo aí na atividade do Charlie Brown Jr. Começando com esse tapa na minha cara

Eles querem que você se sinta mal, pois assim eles se sentem bem

Logo essa música entre tantas, podem chamar isso de destino ou simples acaso.

Pois, o sentimento que me consome nesse fim de ano é a culpa. O que eu fiz? Poderia ter feito mais? Por que não fiz? Por que não consigo como os demais? Como católica a culpa é um negócio sempre presente na minha vida, de longe, não é o melhor sentimento a se sentir. 

Por que nos fazer sentir culpa? Por que nos fazer sentir culpado por tudo? Por que logo a culpa? Não sei, apenas sei que ela amarga toda a felicidade, leva embora minha pouca paz. 

Já nem sei mais o que estou escrevendo, dessa vez perdi o fio da meada de verdade. Não vou entrar no quesito dogmas da igreja, nada disso, é só o que é, um delírio. Nem vou prometer metas mirabolantes para o ano que se inicia. Só prometo fazer mais do que tentar. Vamos fazer, realizar. É um pensamento bonito, aqui escrito, quero ver no ato. 

Vou logo indo, acho que o pessoal está acordando, deixo o final com palavras de outrem

Porque a vida é pouca e eu não sou novinha, quase pronta para partir

Vidaloca – Tuyo

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s