Vinte e seis

🔊Vidaloca – Tuyo

Ando bastante ansiosa, querendo abraçar o mundo com as mãos, como diria minha mãe. Ela costuma me dizer isso sempre, minha mãe, pode ser que ela tenha mais uma vez razão. Quero ler, escrever, aqui e em outros projetos, como o livro inacabado que me encara querendo atenção. Quero colocar em dias minhas séries, os filmes da lista da netflix apenas crescem. O assistir mais tarde do youtube é infinito. Minhas plantinhas deram até um tipo de ácaro sem minha atenção.

Então, enquanto fazia almoço, mastigava esse pensamento, as coisas que me anseiam. Olhei para o celular, pensei em um novo texto que estava escrevendo. Lembrei do blog, e em como estava passando horas me dedicando a este, buscando imagens no pinterest, me preocupando com visualizações e likes. Estava fugindo do objetivo que tinha a princípio, foi o que percebi naquele momento.

Ao contrário, criei este espaço para ser livre de ânsias, poder agir livremente, usar minha voz. Então a ansiedade veio e me levou mais um pedaço, maculou meu espaço. Acho que é comum quando se expõem querer um feedback, gostaria de ser iluminada o bastante para não me preocupar com esse tipo de coisa, mas fazer o que. Nem tenho redes sociais pois sei o quanto me faria mal um lugar daquele, supôs que aqui seria diferente.

Decidi, ali olhando o celular, o arroz quase queimando, que precisava de um tempo para reencontrar o eixo. Pensar. Ler. Escrever. Era o que pretendia. E agora vindo do futuro posso dizer que o único que ficou de fora foi a escrita, e é com certeza o que mais preciso me dedicar.

Comecei apagando o aplicativo do blog. Recebi uma notificação do whatsapp e ele foi o próximo. Indo desinstalar o youtube, encarei meu celular, detentor de meus desvios. O desliguei.

A tarde, tirei um tempo para distrair minha mente atormentada, assistir um filme que a tempos queria ver, que por sinal combinava com meu humor de querer chorar. E definitivamente fiz isso, chorei o filme todo. Não aquele choro de soluçar, mas um choro de lágrimas quentes escorrendo pelo rosto. Sofri, sentindo a aflição de Melina, ah, o nome do filme, Speak ou O silêncio de Melina. Não que o filme seja a obra mais espetacular que já assisti, ainda vi no youtube em uma péssima qualidade, mas ele cumpri seu papel. Baseado no livro Fale!, um dos meus favoritos, acompanhamos Melina uma adolescente de 14 anos se fechar em si depois de uma situação traumática, ela vai perdendo a voz, se silenciando. Foi depois dessa leitura que percebi realmente a importância da minha voz, sem ter essa de deixar para lá.

Fiquei pensando, depois que o filme acabou, o porquê de nunca ter ouvido falar antes dele; apenas o descobri depois de ler o livro. Ele é antigo, tem a Kristen Stewart novinha como protagonista, é adolescente, trata de assuntos importantes. E acho, que é pela temática que nunca o vi passar na sessão da tarde. Antigamente não se tratava desses assuntos tão abertamente como hoje; abuso e depressão. Infelizmente. Como gostaria de ter lido esse livro em meus 14 anos, a escritora; Laurie Halse Anderson; consegue se comunicar com o público dessa faixa etária divinamente, tanto que me sentir voltando a ter a idade, junto aos seus dilemas.

Em seguida, logo após ficar um momento deitada olhando para o nada, fui para a próxima sessão, terminar de assistir Han Solo: Uma História Star Wars; filme que comecei assistir de madrugada e dormir no meio, coisa que mais faço ultimamente. Não sei se é porque já estava sensível pelo outro filme; provavelmente; o que sei é que chorei horrores nesse também. Era a musiquinha tocar que a lágrima caia. Era o Han Solo aparecer que já lembrava da morte dele, que me lembrava da morte da Princesa Leia; não o personagem, e sim a atriz; que me lembrava de Rogue One, e as lágrimas iam caindo. E agora, enquanto escrevo, me lembro que a Khaleesi também morreu. E para entender melhor, pelo menos esse devaneio, a atriz Emilia Clarke também faz parte do elenco do filme. Enfim, terminei o filme me segurando vendo as letrinhas azuis subirem.

Voltei para cozinha, fiz um café, comi uma coxinha. Era isso, era apenas fome no fim. Nada que um café não possa curar.

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